Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Partebilhas

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

A pega de cernelha

Emblema do Grupo de Forcados Amadores de Évora.jp

 

Grupo de Forcados Amadores de Évora

1963 – 2018

55 anos

A promover a Arte de Pegar Toiros e a cidade de Évora

 

Armando Raimundo e Carlos Conceição.png

 

Há umas dezenas de anos quando se lidavam em Portugal 8 toiros, quase sempre em corridas mistas, o grupo de forcados pegava 4 toiros e muitas vezes o cabo reservava um para a pega de cernelha. Nem sempre esse toiro era o que apresentava menos condições para a pega de caras, mas porque a cernelha era muito apreciada e solicitada pelo público.

Também os campinos mais habituados a colaborar com os forcados nesta pega e os cabrestos treinados para o efeito.

Depois apareceu, cada vez com mais frequência, a corrida com 6 toiros para a lide a cavalo e dois grupos de forcados, com três toiros para cada grupo. Então a cernelha passou a ser cada vez menos utilizada e hoje há grupos que passam uma época sem a ter praticado, a não ser que algum toiro se mostre incapaz de investir para a pega de caras ou apresente algum problema na configuração da córnea.

Também é verdade que as empresas nem sempre são rigorosas na selecção dos toiros para as suas corridas, não tendo em consideração que os toiros terão que ser pegados.

Aqui está uma foto que documenta esse facto, toiro com corno mais baixo do que o outro (bizco) que foi lidado em Montoito em 7 de Outubro de 1992 e pegado de cernelha por Armando Mendonça Raimundo e Carlos Conceição.

Bela foto do eborense António Cecílio.

Cernelha

Emblema do Grupo de Forcados Amadores de Évora.jp

Grupo de Forcados Amadores de Évora

1963 – 2018

55 anos

A promover a Arte de Pegar Toiros e a cidade de Évora

 

Luis Rui e A. Maltez-1064.png

 

Hoje muito raramente se veem pegas de cernelha e quase todos os toiros são pegados de caras. Muito menos se vêem cernelheiros que voem por cima dos cabrestos.

Para memória futura, aqui estão duas fotos de uma corrida de Ernesto de Castro em Vila Viçosa no ano de 1963, com uma entrada espectacular de Luís Rui Cabral numa admirável pega de cernelha. O toiro foi rabejado pelo saudoso António Oleiro Maltez.

 

Luís Rui+António Maltez.bmp

 

 

Jantar no Real Clube Tauromáquico - TTE

 

Real Clube Tauromáquico Português.gif

 

 

Em 4 de Junho de 2018 realizou-se em Lisboa, no centenário Real Clube Tauromáquico o jantar mensal da Tertúlia Tauromáquica Eborense.

Já há algum tempo que havia essa intenção que só agora se concretizou.

Os elementos da Tertúlia foram recebidos por João Bonneville Franco e João Barahona Núncio e durante o jantar houve, como é habitual, conversas relacionadas com a tauromaquia, o ambiente taurino que se vive actualmente em Portugal e algumas explicações sobre este Real Clube que é o clube tauromáquico mais antigo de todo o mundo (126 anos).

Foi um agradável convívio e jantar de aficionados.

 

Real Clube 1.jpg

João Bonneville Franco saudando os convidados 

Madrid – 30 de Maio de 2018

Sebastiám Castella.30.05.208-colhida em Madrid.pn

 

Numa corrida interessante – a de 30.Maio.2018 em Madrid – ficou a recordação da arte e a mestria de Enrique Ponce frente a dois mansos de ganadarias diferentes; a facilidade de bandarilhar e boas maneiras do prometedor Jesús Colombo; a valentia, determinação, raça e saber numa emotiva actuação de Sebastián Castella depois de aparatosa colhida, com estocada perfeita e com o reconhecido direito à Porta Grande de Las Ventas.

Praça que esta tarde teve a indicação de “no hay billetes” para desgosto dos animalistas, anti-taurinos e demais angustiados.

Lidaram-se quatro toiros de Garcigrande (1º. 4º, 5º e 6º), um de Domingo Hernández (3º) e o sobrero de Valdefresno (2º).

Sebastián Castella-30.05.2018.png

 

Oportunidade em dívida

 

Madrid 27.05.2018~Toros de Dolores Aguirre.png

Quem nunca tivesse visto uma corrida em Espanha e se pela primeira vez entrasse ontem em Las Ventas ficaria com uma medonha ideia do que é tourear.

A três jovens matadores de toiros que têm tido poucas oportunidades em “praças de primeira” a empresa de Simón Casas largou na arena de Las Ventas os seis “dolorosos” de Aguirre, uma ganadaria muito ao gosto de quem aprecia os filmes de terror da antiga Roma com Nero a mandar os prisioneiros a enfrentar feras.

Depois de um minuto de silêncio em memória do antigo matador Marcos de Celis, sairam à Praça seis reses com o peso total de 3.646 Kg. os mansos e agressivos toiros dos herdeiros de Dolores Aguirre Ybarra – que ficou conhecida como “la doña de ferro del campo bravo” – com forte procedência e muito sangue da antiga ganadaria de Atanasio Fernandez.

A empresa de Madrid fica, se tiver consciência, a dever a estes três toureiros, que ontem conseguiram sair vivos e por seu pé de Las Ventas, uma outra oportunidade. Uma oportunidade diferente, mas com toiros de lide, com toiros que se deixem lidar. Assim queira Simón Casas pagar esta dívida de honra a estes valentes toureiros.

Este tipo de toiros não servem para toureio. Não servem para as figuras e muito menos para jovens com muito menos experiência. Penso que não servem para os aficionados em geral e nem para aqueles que se juntam em determinado sector da Praça para protestar e que assobiam a tudo e a todos e parece que estão sempre zangados.

Assim e para terem uma oportunidade em Madrid, com mais de 15.000 espectadores a assistir, prestaram-se a enfrentar os seis mansos – grandes e cornalões, que nunca galoparam, que não tiveram investidas francas e que só acometeram a escabecear com arreões destinados a acabar com a carreira de qualquer toureiro – os jovens Rubén Pinar, José Carlos Venegas e Gómez del Pilar que os mataram com estocadas de decisão.

Eles e as quadrilhas numa luta que não se pode chamar de toureio, em 27 de Maio de 2018 e onde, um toureiro de prata, David Adalid, ao quinto da ordem, bandarilhou com mestria e arte, num dos poucos apontamentos taurinos da tarde.

Olé David Adalid!

 

David Adalid-bandarilheiro.jpg

Bandarilheiro David Adalid 

 

Contrastes

Há enormes contrastes quando um matador de toiros toureia em Espanha ou em Portugal.

Aqui em Portugal o matador pode lidar toiros em público mas no final da lide não pode executar a sorte suprema, portanto não mata o toiro e se o fizer é preso e multado, como aconteceu com Manuel dos Santos em 1951.

Ali ao lado, em Espanha, o matador será preso e paga uma multa se se recusar a matar o toiro.

Assim e por absurdo, o mesmo matador será preso na Praça de Elvas se matar o toiro e também vai para a cadeia se se recusar a matar na Praça de Badajoz. A distância entre as duas cidades é muito pequena mas a regulamentação é enorme.

Vem isto a propósito de uma efeméride de 25 de Maio de 1967 na Praça de Madrid, quando Curro Romero se recusou a matar o sobrero da ganadaria de Cortijoliva por ter considerado que o toiro já teria sido toureado. Curro foi detido por ordem do Presidente da Corrida e conduzido ao posto da Dirección General de Seguridad onde passou a noite e posto em liberdade no dia seguinte para poder tourear uma corrida da ganadaria de Benítez Cubero alternando com Diego Puerta e Paco Camino.

Curro Romero foi e é um mito da tauromaquia de Sevilha, da tauromaquia de Espanha. É dele a frase “tenho o medo mais sereno do mundo”.

Todos têm medo, Curro Romero tinha também muito. Um medo que era ultrapassado pela sua arte. Uma arte de aroma, como só possível aos grandes artistas.

Enorme também nas doações. Nesse mesmo ano de 1967 toureou 33 corridas e numa delas, a de 21 de Setembro, saiu em Madrid para lidar sozinho os toiros de Urquijo e em beneficio da Luta contra o Cancro, porém alem do contratado ofereceu também a lide do sobrero, tendo lidado sete toiros nessa tarde.

Teve uma longa vida de matador e pisou as arenas consecutivamente desde 1954 a 1999 tendo estoqueado mais de 1600 toiros. Foi colhido com gravidade em Algeciras, La Línea e Zafra em 1962; em Palma de Maiorca em 1963; em Almería em 1965: em Madrid em 1968; em Málaga em 1972; em Puerto de Santa María em 1982 e em Aranjuez em 1989.

Em diversas ocasiões foi-lhe reconhecido o mérito toureiro e em Abril de 2018 Curro Romero recebeu o Prémio da Cultura da Universidade de Sevilha numa cerimónia onde estiveram o reitor da Universidade, o alcaide de Sevilha e o testemunho dos matadores: Pepe Luis Vásquez, Espartaco, Diego Urdiales, Dávila Miura, Manuel Escribano e Pedro Chicote.

Tauromaquia é cultura.

 

Curro Romero- Prémio da Cultura-Universidade Sevi

 Curro Romero - Prémio da Cultura da Universidade de Sevilha

 

Sinal de luto

Falecimento de José Gomez Ortega-Joselito.png

No historial da tauromaquia constam diversos toureiros que perderam as suas vidas nas arenas.

Porém há uma data que simboliza o luto de todos: 16 de Maio de 1920, quando José Gomez Ortega “Joselito” foi colhido de morte na Praça de Toiros de Talavera de La Raina (Toledo)

Assim, quando há corridas de toiros no dia 16 de Maio, é tradição os toureiros fazerem o “paseíllo” descobertos e com a “montera” na mão em sinal de luto.

Uma tradição que não se deveria perder.

 

sinal de luto.png

 

 

A morte na arena

Homenagem a Ibám Fandiño-2018.png

A corrida de toiros é um espectáculo sério onde as imagens não se repetem como no teatro, cinema ou ópera, onde houve muitos ensaios para que tudo saía como o previsto e sempre igual...

Na corrida de toiros há o risco de vida, o imponderável. Quando o toureiro se veste a rigor sabe que pode ser a última vez. Por isso há a angústia naqueles momentos que antecedem a saída do primeiro toiro.

Alguns toureiros pagaram com a vida o seu arrojo, a sua valentia, a sua arte.

Iván Fandiño foi um toureiro espanhol que faleceu aos 36 anos, por colhida mortal de um toiro da ganadaria de Baltasar Iban, na Praça de Toiros de Aire Sur l’Adour (França) em 17 de Junho de 2017.

Neste mês de Maio de 2018 – durante a Isidrada – a Comunidade de Madrid resolveu colocar na Praça de Las Ventas um memorial em azulejos recordando este valoroso matador de toiros.

Uma justa homenagem a um toureio que pisou a arena daquela Praça Monumental em mais de 30 tardes.

Paz à sua alma.

 

 

                              

Iván Fandiño-Matador de toiros.pngIván Fandiño Barros  (29.09.1980 - 17.07.2017)  

 

 

Uma revista taurina

Emblema da Tertúlia Tauromáquica Eborense.png

 

No jantar da Tertúlia Tauromáquica Eborense que se realizou na Pousada dos Loios em 7 de Maio de 2018 esteve presente João Queiroz como convidado de honra e que se fez acompanhar pelo seu colaborador David Leandro

Quando se completam 40 anos sobre o aparecimento da revista Novo Burladero, foi um motivo de satisfação a Tertúlia ter à sua mesa o Director desta conceituada revista taurina.

Nunca em Portugal uma revista exclusivamente taurina teve esta longevidade e tal só acontece devido à enorme aficion, persistência e abnegação de João Queiroz que ao longo destas quatro décadas soube sempre ultrapassar as dificuldades e manter uma publicação mensal destinada a quem gosta e pretende continuar a gostar da Festa Brava

Fazendo parte da nossa cultura e profundamente enraizada nas tradições populares, esta Festa que é ibérica, tem em Portugal características próprias. Assim, enquanto uma publicação com motivos taurinos e que se edite em Espanha, terá sempre a possibilidade de ser vendida nos países da América de língua castelhana e onde se lidam toiros, como é o caso do México, Venezuela, Perú, Colômbia e Equador, uma revista taurina portuguesa tem uma penetração muito mais ténue e limitada quase exclusivamente ao pequeno território de Portugal.

Tal superioridade geográfica e com a corrida de toiros como que um seu ex-libris, permite a Espanha publicar anualmente vários livros e revistas de temas tauromáquicos, enquanto neste lado da península a literatura taurina é escassa e quase inexistente.

Por isso há que louvar todos os que no Novo Burladero colaboraram nestes 40 anos sob a orientação de João Queiroz.

Por isso foi com grande satisfação que a Tertúlia Tauromáquica Eborense teve à sua mesa este cronista que tem dedicado a sua vida à tauromaquia e que mantem com dignidade há quatro décadas o Novo Burladero.

Para ele as nossas saudações taurinas.

 

TTE com João Queiroz.JPG

Nico Mexia de Almeida, cuidador da Tertúlia Tauromáquica Eborense, com João Queiroz e David Leandro

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D