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Partebilhas

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

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Os bons costumes

Corrida de Gala Ant.Portuguesa.jpg

Têm as tauromaquias diversas tradições que têm sido mantidas nas arenas ao longo dos anos, tanto na corrida de toiros ao uso de Espanha como na corrida à portuguesa.

Digamos que é um espectáculo onde essas tradições gerais são mantidas com grande apreço pelos intervenientes, não obstante haver algumas diferenças de índole regional ou local dependendo de Praça para Praça, como em Las Ventas em Madrid, onde não se ouve música durante as lides.

Alguns exemplos das tradições de Portugal se podem aqui referir, como é o caso de se ouvirem os acordes do Hino da Maria da Fonte antes do começo do espectáculo; nas cortesias entrarem oito moços de forcado de cada grupo e os cavaleiros fazerem os “quartos” para saudarem o público; o grupo de forcados mais antigo pegar o primeiro toiro; a pega de caras ser executada por oito elementos do grupo de forcados, etc. São costumes que não precisam estar no Regulamento Tauromáquico.

Quando dos agradecimentos também é uma tradição habitual o forcado dar a direita ao cavaleiro e a volta ser efectuada no sentido dos ponteiros do relógio (no México, essa volta é no sentido inverso).

Nessas voltas de agradecimento é um uso tradicional o cavaleiro ser acompanhado pelos elementos da sua “quadrilha” e esses peões de brega irem cobertos com as “monteras”. Tal não aconteceu na Corrida de Gala à Antiga Portuguesa que se realizou em 13 de Outubro de 2016 na Praça de Toiros do Campo Pequeno, quando o cavaleiro Miguel Moura deu a volta de agradecimento e os seus peões de brega João Ganhão e Benito Moura, desconhecendo as regras, foram descobertos.

O peão de brega só se deve descobrir se tiver uma chamada especial. Aí os aplausos do público são para ele. Não foi o caso.

Será bom que todos os intervenientes da Festa não desconheçam os bons costumes.

É uma questão de cultura taurina.

É uma questão de saber estar. De ética taurina.

Uma palavra final a dois elementos do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, Manuel Guerreiro e João Lucas, que tanto deram à Festa Portuguesa e que se despediram nesta corrida. Para eles, que tão bem honraram a jaqueta de forcado amador e sempre souberam estar nas arenas, o nosso especial agradecimento.

Tourada de Gala-C.Peq.2016.jpg

 

 

O bom aficionado

castella.jpg

Ser aficionado tauromáquico quer dizer mais do que estar interessado em presenciar uma tourada.

Quer dizer ter um sentimento especial por todo o ambiente relacionado com o toiro bravo, com os toureiros e demais intervenientes na tourada ou “corrida de toiros”, como muitos gostam mais de a chamar.

Como a tauromaquia não é uma ciência exacta, os aficionados em geral poderão ter pontos de vista diferentes, não só pela sua cultura taurina mas também porque o entendimento e modo de ver a mesma “faena”, de observar a lide em ângulos diferentes da praça poderá provocar diferentes opiniões. Opiniões que muitas vezes são corrigidas depois de se verem filmes e fotos de uma lide que foi presenciada na praça de toiros.

Assim, poderemos considerar que aficionado está acima de espectador e que “bom aficionado” está mais além do que aficionado. Direi, ainda mais acima.

Poderá dizer-se que o “bom aficionado” é aquele que vê com atenção este seu espectáculo preferido, o que vê muitas corridas de toiros e em diversas praças, que conhece o vocabulário taurino e que sabe estar mais silencioso do que opinativo quando sentado a observar a lide. Enfim, o que se contém sem estar dando recados desnecessários para o toureiro ou forcado que não o pode ouvir e para os outros que no mesmo sector estão sentados a seu lado e que gostariam de assistir ao espectáculo sem serem incomodados com pretensas teorias mais ou menos pedantes e convencidas.

O “bom aficionado” chega com facilidade à conclusão que sabe pouco e considera com apreço todo aquele que serenamente se coloca em frente de um toiro.

O “bom aficionado” não deixa de olhar o toiro durante toda a corrida e considera que tudo tem a ver com a sua bravura, maior ou menor. Com as dificuldades que este apresenta ao lidador e como essas dificuldades são superadas com arte e valentia.

Os conhecimentos do “bom aficionado” são adquiridos ao longo da vida, com muitas conversas de tertúlia, com leituras de crónicas e criticas das corridas a que assistiu. Com leituras e meditação dos textos de livros taurinos, independentemente de concordar ou não com os autores.

O “bom aficionado” deve ler e reflectir no que leu. Ler com atenção.

O “bom aficionado” chega facilmente à conclusão que sabe pouco. Muito pouco.

 

 

Saber estar

Livro À Barbela!.jpg

 

 

(…) Todos os gestos e atitudes dos toureiros e forcados devem obedecer não só às boas maneiras, mas também à tradição tauromáquica.

E se recordarmos que alguns peões de brega ao darem a volta à arena, descobertos e com as “monteras” nas mãos, verificamos que também eles desconhecem, ou estão esquecidos, das regras.

O peão de brega, quando acompanha o cavaleiro na volta à arena, deve levar sempre a “montera” na cabeça, porque os aplausos não são para ele, mas sim para o cavaleiro. O peão de brega só deve descobrir-se quando tiver uma chamada especial e, aí sim, as palmas são para ele.

 

In “À Barbela!

Edição da Associação de Forcados Amadores de Évora

Junho de 2013

 

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