“Delantal” numa variante
De joelhos em porta-gaiola
Com o toiro por diante
De lidador que se isola
Lance d’início insinuante
De toureiro com escola
Tremenda coragem e saber
Linda imagem de se ver
“Farol” é assim este lance
Capote aberto a voltear
Esperando que o toiro avance
Querendo ferir, cornear
Momento fugaz, de relance
Do modo de saber tourear
Emana arte e determinação
Com serenidade e afirmação
Manuel Peralta Godinho e Cunha
Novembro de 2025
Capote de toureio
De cor fúcsia e amarelo, movido de rara beleza
Parece desenhar, no ar, junto ao toiro, na arena
No início da lide, imagem de enorme destreza
De serena maneira, fervilha um poder criador
Um recorte sublime, na fúria dessa força violenta
D’um lance de capote que impressiona e acrescenta
O receio reforçado de arte, de anseio, de destemor.
Na barreira, amargura de mulher quase chorando.
Com dignidade o lidador avança e marca a figura.
Abre com mestria e arte o capote. Cita com mando.
O toiro olha e avança, de largo. Tremenda bravura!
De mãos apertadas, na barreira uma dama
Reza calada e contempla toda aquela moldura.
Toureiro! Toureiro! O povo grita e aclama.
Com força, de novo o toiro acomete na arena
Quem com ardor, em verónica muito cingida
E lenta e outra… e mais meia. Que beleza!
Depois do silêncio da angústia, as palmas
O público agita-se e grita, de pé aplaude a arte
Da resposta de um novo cite, firme e quieto
Toiro à sua mercê, com dignidade sai da sorte
Com porte altaneiro de quem desafiou a morte.
No chão, coberta de poeira uma flor merecida
Flor de promessa entregue e na arena esquecida…
Manuel Peralta Godinho e Cunha
Abril de 2022
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Na foto um lance de capote do matador de toiros José Garrido