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Partebilhas

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

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Uma alternativa a um rejoneador de dinastia

Alternativa de G. Mendoza - 5.05.2019.png

Na foto o momento da alternativa de rejoneador Guillermo Hermoso de Mendoza na Praça de Sevilha, em 5 de Maio de 2019, concedida por seu Pai.

Não ficaria mal – e até seria de boa educação – a jovem cavaleiro descobrir-se durante esse acto. Fê-lo depois, atrasado.

Quanto ao rejoneio em si, com os rojões de castigo e colocação de bandarilhas com os toiros parados, deixa muito a desejar. Rejoneio é uma coisa e toureio a cavalo é outra. O seu Pai – Pablo Hermoso – tem conseguido e bem as duas: rejoneio lá e toureio a cavalo cá.

O jovem Guillermo já está anunciado este ano para uma corrida em Évora. Como em Portugal é diferente e mais exigente do que Espanha, vamos aguardar como se comporta numa corrida à portuguesa. Mestre tem tido.

Quem lida toiros a cavalo, será reconhecido se estiver bem em Portugal. Em Espanha podem dar piruetas, voltas e reviravoltas, muitas habilidades com os cavalos, etc. Em Portugal terão que seguir as regras da cavalaria e sem rojões de castigo para parar os toiros.

Assim tem sido e esperemos que assim continue.

 

Sem cabeçada

Rejoneador Josechu Pérez de Mendoza.jpg

Josechu Pérez de Mendoza foi o primeiro rejoneador a bandarilhar a duas mãos com o cavalo sem cabeçada.

Foi também o primeiro rejoneador a sair pela Porta do Príncipe da Praça de Toiros de Sevilha em 5 de Julho de 1958.

Porém essa saída em ombros não foi pacifica porque o Presidente da Corrida só queria conceder ao rejoneador uma orelha, o que seria um prémio menor para a memorável actuação culminada com a colocação de um colossal par de bandarilhas utilizando a montada sem cabeçada depois de uma enorme e valorosíssima lide a cavalo, onde a Real Maestranza quase vinha a baixo com o público num alvoroço pedindo o prémio de uma segunda orelha que parecia não ser consentida, até que Juan Belmonte – que estava no palco presidencial nas funções de assessor – gritou para o Presidente:

-- Aquí en Sevilla mando yo y a ése torero se merece la segunda!

Jesechu Perez de Mendoza recebeu a segunda orelha, que lhe abriu a “Puerta del Príncipe de la Real Maestranza de Caballería de Sevilla” e foi levado em ombros até ao Hotel Colón.

A cabeça do toiro “Napoleón”, da ganadaria de Guardiola Soto, está exposta na Praça de Toiros como recordação deste facto.

 

Tercio de varas

Picador sem petos.png

 

 

Na lide de toiros “a la uzanza española” e durante o primeiro “tercio” há uma sorte que caracteriza a corrida e que é a sorte de varas, que foi, é e será uma sorte polémica.

A sua primeira finalidade é quebrar a pujança violenta do toiro para que as suas investidas se prestem ao toureio, mas a vara também pode servir para corrigir alguns defeitos do toiro, nomeadamente a sua maneira de posicionar a cabeça ao investir. Nisso não há dúvida.

Quando antes de 1928 se picavam os toiros sem o peito protector dos cavalos, morriam em praça e em cada corrida várias cavalgaduras dos picadores e era um espectáculo de sangue e tripas espalhadas na arena com o público gritando: “Más caballos!

Os toiros nem se paravam nos cavalos. Ou os picadores os conseguiam aguentar com as varas ou caiam colhidos os cavalos.

O público ia às Praças para ver os picadores e o toureio de muleta era muito mais breve.

O público, desse tempo, queria mais cavalos, mais sangue. Quanto mais cavalos mortos e gravemente feridos, maior era o sinal de toiros bravos.

As faenas eram muito mais curtas e o importante era a sorte de matar.

Porém, hoje, com os toiros mais encastados param-se nos cavalos muito mais tempo, acometendo com força nos “petos” enquanto os picadores os castigam, o que quer dizer que um forte “puyazo” actual vale por vários de antanho.

O público já não acorre às praças para ver picar mas sim para ver tourear. O que não quer dizer que não goste de ver uma boa vara colocada num toiro que se arrancou de largo. Porém, se o toiro acomete forte e fica encostado ao “peto” num enorme esforço, naturalmente que perde força e muitas vezes sai da sorte de varas a cair.

Isto a propósito dos escritos de alguns críticos – que se dizem os verdadeiros puristas – sobre o indulto do “Orgullito”, toiro lidado em Sevilha em 16 de Abril de 2018, que consideram injusto porque não o viram empregar-se a fundo nas duas varas da ordem.

Há que entender que os picadores aliviam a sorte de varas quando há essa ordem do seu matador. O que acontece com frequência.

O indulto desse toiro de Garcigrande foi pedido pelo público em esmagadora maioria. Público que os puristas consideram pouco entendido, sem conhecimentos tauromáquicos suficientes e que não deveria ver indultado um toiro que não acometesse violentamente nas varas. Porém, esse público que gosta de ver tourear e que viu a enorme e valorosa faena de El Juli, num toiro que perseguiu sempre o toureiro nos lances de capote e nos passes de muleta, que não se parou afocinhando na arena, que não se refugiou em tábuas e que, provavelmente, daria mais faena para além do tempo regulamentar, era toiro para indulto. Assim foi.

A Festa tem isto. Permite um toiro regressar ao campo como semental e transmitir a sua bravura.

Penso que a sorte de varas será cada vez mais aliviada. O regulamento que obrigou a três varas por toiro, depois passou a duas, um dia passará a só uma e, num futuro não muito distante, talvez venha a ser abolida.

Porque é perfeitamente possível lidar toiros a pé sem a sorte de varas.

Ao longo dos anos, a mudança dos tempos fez menos praticáveis estilos e costumes do toureio. Basta recordar as “bandarilhas de fogo” que foram proibidas e as “bandarilhas negras” que ainda podem ser usadas mas que a maioria do público não gosta dessa prática.

Picador.jpg

 

 

 

Sevilha - indulto

16.04.2016 Orgullito-indultado.png

Na corrida que se realizou em Sevilha em 16 de Abril de 2018 – na Real Maestranza de Caballería – quando o matador El Juli lidava o seu segundo toiro, quinto da ordem, da ganadaria de Garcigrande, o público em pé e acenando lenços brancos pediu o indulto.

Na verdade o “Orgullito” teve um comportamento tal de bravura e nobreza que Presidente da Corrida colocou o lenço laranja premiando a ganadaria com o perdão à morte deste toiro e a possibilidade de regressar ao campo para ser aproveitado como semental.

Uma tarde histórica na tauromaquia em Sevilha, numa Praça onde raramente é concedido o indulto. Na realidade este foi o quarto indulto na “Maestranza” desde 1881.

Em 12 de Outubro de 1965 o novilho “Laborioso” do marquês de Albaserrada foi indultado depois de uma faena de Rafael Astola; em 30 de Maio de 2011, José María Manzanares indultou o toiro “Arrojado” de Núnez del Cuvillo; em 13 de Abril de 2016 ao toiro “Cobradiezmos”, de Victorino Martin, foi-lhe perdoada a morte depois de poderosa e excelente faena do valoroso matador Manuel Escribano.

O prémio maior para qualquer ganadaria é ter um toiro indultado numa Praça considerada de prestígio taurino, como é o caso de Sevilha.

Para o toureiro também é uma honra, porque o prémio do indulto tem a ver com a bravura do toiro mas também, e muito, pela lide adequada.

Parabéns ao ganadero Justo Hernández.

Parabéns ao matador Julián Lopez Escobar “El Juli”.

Parabéns ao público que esgotou a “Real Maestranza” e que maioritariamente solicitou o indulto do toiro “Orgullito”.

16.04.2018-Justi Hernandez na volta do induslto.jpEl Juli e o ganadero Justo Hernández (Garcigrande)

 

 

Fotógrafos fora de sítio

Em Sevilha.jpg

O início do espectáculo tauromáquico começa com a abertura das portas do pátio das quadrilhas e o desfile dos intervenientes ao som de música que em Portugal tem o nome de “cortesias” e em Espanha “paseíllo”. Sendo diferentes, têm a mesma finalidade que é a apresentação ao público dos artistas que irão actuar, sendo de grande agrado popular pelas cores e brilho dos trajes.

A foto é do início do “paseíllo” da tarde do dia 5 de Maio de 2017 na Praça de Sevilha e tal como em muitas corridas em Espanha estão diversos fotógrafos taurinos querendo registar imagens dos toureiros num corrupio desordenado que, visto das bancadas, desfeia um aspecto do espectáculo que não deve perder a dignidade.

Não havendo dúvida sobre a inestimável valia dos registos fotográficos nem da sua continuação, porém, com o avanço da tecnologia que se tem verificado em todo o material utilizado para fotografar, hoje não há a necessidade da presença dos fotógrafos naquele local da arena e em frente dos toureiros.

Um hábito feio e que deslustra uma imagem que poderia ser bonita e que hoje não tem razão de ser.

Continuariam a aparecer as fotos porque há material suficiente e capaz para isso e muito mais.

É  de Simon Casas, empresário da Praça de Toiros de Las Ventas, a frase lapidar:

«La ecuación para velar por la tauromaquia es adaptarse a la modernidad respetando la esencia y lo ancestral: lo que no evoluciona desaparece».

 

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