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Partebilhas

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

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A pega do Monumento ao Forcado

Pega de Estevam Lancastre-1964.jpg

Em 12 de Abril de 1964 realizou-se uma corrida na Praça Monumental do Campo Pequeno de homenagem aos Príncipes do Mónaco e num dos camarotes esteve a Princesa Grace Patrícia Grimaldi (Grace Kelly) e os seus filhos.

Lidaram-se 8 toiros, sendo 4 da ganadaria de Norberto Pedroso para os cavaleiros Pedro Louceiro e José Maldonado Cortes e para os Forcados Amadores de Évora comandados por João Nunes Patinhas, mais 4 toiros da ganadaria de Manuel César Rodrigues para os espadas José Falcão e Óscar Rosmano.

Praça completamente cheia e grande triunfo dos Amadores de Évora com quatro excelentes pegas de caras e o Grupo chamado à Praça.

Na lide a pé um enorme êxito de José Falcão.

Captadas pelo fotógrafo taurino Lucílio Figueiredo há algumas fotos dessa corrida e uma delas da pega que foi executada por Dom Estevam de Lancastre com excelente primeira ajuda de João Bonneville Franco.

Essa foto foi a escolhida e aproveitada muito mais tarde pelo escultor Domingos Soares Branco que a utilizou como base de trabalho quando efectuou o conjunto escultórico do Monumento ao Forcado que está colocado em Santarém, desde 10 de Junho de 1997, na Rotunda António Gomes de Abreu.

Atelier de Domingos Soares Branco.jpg

No seu atelier o escultor Domingos Soares Branco com Dom Estevam de Lancastre e João Bonneville Franco.

Nota-se a foto que serviu de mostra para a escultura.

 

Sem Polícia

Canal Toros.png

 

O espanhol “Canal Toros” nesta temporada de 2018 tem vindo a transmitir corridas das principais Praças de Toiros de Espanha e França e esta última de Madrid – da Feira de Outono – onde foram lidados toiros de Victoriano del Rio, Cortés e de Conde de Mayalde, teve alguns motivos de interesse, com destaque para a confirmação da alternativa do sevilhano Pablo Aguado, toureiro clássico mas que tem tido poucas corridas e esta orelha que recebeu após a lide do sexto toiro talvez lhe abra outros contratos.

Que bem esteve Alejandro Talavante no seu primeiro, toiro que não era fácil e que o matador lidou com mestria.

Angustia quando Saúl Jiménez Fortes entrou a matar o quinto – um sobrero da ganadaria do Conde de Mayalde - e foi colhido, seguindo para a enfermaria e depois para o hospital.

Mas a curiosidade sobre a transmissão em directo desta corrida foi ter sido referido que o comando da Polícia de Madrid não destacou nenhum contingente para a Praça de Las Ventas, não obstante estarem mais de 20 mil espectadores a assistir.

Muito interessante se ter considerado que o público dos toiros sabe estar e não tem comparação com o de outros eventos, onde os espectadores têm que ser revistados e ficam sob observação atenta de enormes estruturas policiais, antes, durante e no final de cada espectáculo.

Aos toiros assistem espectadores atentos, que fazem silêncio nos momentos de maior emoção, que entram e saem da Praça ordeiramente.

Num mundo actual de terrores, agressões, insultos e tragédias, destacam-se os espectadores tauromáquicos que, não obstante serem aos milhares, não criam conflitos e esses problemas só acontecem quando os animalistas anti-taurinos se aproximam dos locais onde nunca deveriam estar.

Ora aqui está um assunto que os políticos portugueses menos atentos á nossa cultura e tradições populares ainda não tiveram tempo de reflectir.

Assim, por exemplo, no caso da Praça de Toiros do Campo Pequeno a Polícia só faz falta para tomar conta dos animalistas que, como se sabe, se portam muito mal.

Madrid 28.09.2018.png

Praça de Las Ventas em Madrid, com mais de 20.000 espectadores e sem Polícia

 

Tauromaquia – cortesias

Cortesias à espanhola-24.08.2018 - Campo Pequeno.

 

Em Portugal a apresentação na arena de todos os intervenientes na tourada chama-se “cortesias” e é um ritual taurino de grande beleza onde os cavaleiros devem fazer os “quartos” para cumprimentarem o público.

Portugal é o último reduto do toureio clássico a cavalo e nas “cortesias” pode-se verificar se os cavaleiros se apresentam aprumados nas selas, dominadores dos cavalos mandando-os mais com as pernas do que as rédeas, porque o perfeito conhecimento da equitação é uma condicionante para quem deseja tourear a cavalo à portuguesa.

A manutenção da actual tourada à portuguesa deve-se, em grande parte, às atitudes do cavaleiro João Branco Núncio, primeiro ao exigir a lide com toiros puros, que permitiu um toureio com mais arte e depois quando em 1945 firmou com a empresa do Campo Pequeno um contrato para quatro corridas nessa época e impôs como principal condição que só participaria nelas se tivesse que alternar com outro cavaleiro profissional e não sozinho como a empresa vinha a fazer em corridas anteriores onde eram lidados dois toiros para cavalo e seis toiros para a lide a pé.

O gesto de João Branco Núncio contrariou o “movimento espanholado” que se esboçava da tentativa a eliminação das cortesias à portuguesa e da não inclusão de forcados.

Mais tarde nos anos sessenta e já durante a responsabilidade de Manuel dos Santos na empresa do Campo Pequeno, também houve a tentativa de se lidarem toiros desembolados a cavalo e sem a intervenção dos forcados no final dessas lides, numa aproximação do “rejoneio” à espanhola e onde era incluído nesses cartazes o andaluz Álvaro Domecq Romero.

Tudo tentativas de se “espanholar” a corrida e que não foram bem aceites pelo público.

Vem isto a propósito de nas “cortesias” da última “Corrida TVI”, os cavaleiros não terem feito os “quartos” e se tal aconteceu deve ter sido por indicação da empresa, porém com a aceitação dos cavaleiros e a autorização do director da corrida.

 Se são “cortesias a despachar” e mais fáceis para os cavaleiros, na realidade não passa de uma descaracterização da corrida de toiros à portuguesa e que não se deveria repetir nas praças de toiros de Portugal e muito menos no Campo Pequeno que é, por enquanto, a Catedral do Toureio a Cavalo.

Há diversas tauromaquias e todas devem ser respeitadas nos seus usos e costumes nos diversos países e regiões.

Esperemos que na próxima corrida que se realizará na Monumental do Campo Pequeno na noite de 6 deste mês de Setembro as cortesias sejam à portuguesa, porque estamos em Portugal.

....

Na foto, captada pelo fotógrafo taurino João Silva, as "cortesias a despachar" que foram apresentadas pela televisão ao país.

 

Sobre João Patinhas (4)

Cantinflas e Grupo de Montemor.jpg

 

Palavras de António José Zuzarte – Antigo cabo do Grupo de Forcados Amadores de Montemor:

“João Patinhas foi dos forcados que mais toiros pegou na sua longa carreira, demonstrando uma aficion que não o deixará nunca afastar deste “mundillo” que nos prende, como um vício, como algo que nos mantém vivos.

Nascemos e crescemos neste nosso Alentejo de vastos horizontes, e que foi, neste imenso país do Sul, onde a aficion aos toiros está bem enraizada, que vivemos e queremos acabar os nossos dias, como Homens com alma de Forcados.

Pegou muitos toiros pelos cornos, levou muitas cornadas nas praças e na Vida. Mas tendo sempre, de cabeça levantada, sido Toureiro, Alentejano e Homem forte e digno. Um OLÉ para este meu amigo e companheiro.”

 

Parte do Testemunho dos Amadores de Montemor no livro João Patinhas – Um Forcado

1ª. Edição: Novembro de 2008

2ª. Edição: Maio de 2009

 

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Na Foto: O Grupo de Montemor com Cantinflas na Praça do Campo Pequeno em 10 de Setembro de 1961. Reconhecem-se na foto Rui Souto Barreiros, Miguel Capinha Alves, António José Zuzarte, Simão Nunes Comenda, Mário Moreno (Cantinflas), Francisco Pais, Joaquim José Capoulas, João Patinhas e Joaquim Zita Cortes.

Nessa corrida pegaram de caras Joaquim José Capoulas, João Patinhas e Joaquim Zita Cortes

12 Toiros 12

Para o dia 1 de Junho de 1972 esteve anunciada para a Monumental do Campo Pequeno a famosa Corrida a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro e no programa constava que os 6 poderosos toiros de Dom Luís Passanha seriam pegados pelos Forcados Amadores de Santarém e de Montemor, mas cerca de uma semana antes foi divulgada a notícia de que José Manuel Souto Barreiros, cabo do Grupo de Santarém, teria rejeitado a corrida.

Assim, foi anunciado que sozinho o Grupo de Montemor pegaria os 6 toiros. Uma encerrona!

Foi uma corrida duríssima e cinco dos poderosos toiros foram valorosamente pegados de caras e com o significativo reaparecimento de forcados já retirados, como Simão Comenda e Zita Cortes que se voltaram a fardar à pressa para completar o Grupo que já estava desfalcado por alguns terem recolhido à enfermaria e o Cabo António José Zuzarte para o hospital.

A pega de João Caixinha, ao segundo da ordem, foi uma maravilha. Marcou os tempos do toureio – Parar, Mandar e Templar – e realizou a melhor pega da noite.

Um toiro não foi pegado, não obstante as diversas tentativas de vários forcados. Porém o público reconheceu o enorme esforço e valentia e a imprensa taurina manifestou nas crónicas a dignidade e ética do Grupo de Forcados Amadores de Montemor.

Entretanto o Grupo de Santarém não demorou a dar resposta e para o dia 29 de Junho de 1972 anunciou-se para pegar 12 toiros, sendo 8 em Évora na corrida de São Pedro (4 de Veiga Teixeira e 4 de Murteira Grave) e mais 4 na corrida nocturna do Campo Pequeno (da ganadaria de Dona Maria Ana Passanha).

12 toiros para o Grupo comandado por José Manuel Souto Barreiros.

Cerca de 6. 000 Kgs. de toiros para um só Grupo e em menos de 24 horas nunca tal tinha acontecido! Provavelmente nunca mais aconteceu.

José Manuel S. Barreiros.jpg

 

Na foto José Manuel Souto Barreiros, cabo do Grupo de Forcados Amadores de Santarém no período de 1 de Junho de 1969 a 17 de Junho de 1979.

 

Pensamento imposto?

animalista estúpido.jpg

Gosto dos excelentes e ponderados artigos de Cristina Miranda e acabei agora de ler com atenção “A Estupidez da Igualdade de Género”, onde faz uma análise da formatação de opinião muito ao gosto dos marxistas que defendem a ideologia de pensamento único. Publicado no “Blasfémias”, recomenda-se a sua leitura.

Neste artigo verifica-se uma boa análise à tal “igualdade de género”, aos tais que defendem que não tem nada que haver meninos e meninas, homens e mulheres, mas só géneros.

Portanto a criança nascer com pilinha não quer dizer que seja menino e ter pipi já não quer dizer que seja menina. Parece que teremos que evitar esse “erro de distinção à nascença” e permitir que mais tarde a criatura se defina. Os papéis de género tradicionais estão ultrapassados, dizem el@s. A criatura é que deve dizer se gosta mais de ser o que não é ou manter o que é.

Este um dos tipos de pensamento único que as minorias pretendem confrontar a maioria. Maioria que tem mais que fazer do que pensar na “estupidez da igualdade de género” e que já é bem assediada por outras minorias que se intitulam de vegetarianos, de veganos, de gays, de animalistas e que tais, sempre pront@s a estar presentes em manifestações mais ou menos coloridas e extravagantes como aquela gente que apita, grita e esbraceja em bicos dos pés nas imediações da Monumental do Campo Pequeno e de outras Praças de Toiros quando se realizam as touradas.

Claro que essa gente tem todo o direito de não gostar de touradas. Porém, deveria manifestar-se sim num outro local qualquer e não criar complicações à Polícia que tem que tomar conta deles. Polícia paga pelos contribuintes e que nesse preciso momento estará a fazer falta noutros pontos da cidade onde se verificam roubos, estupros, violações, agressões, confusões no trânsito, etc.

Parece que caminhamos, cada vez mais, para uma sociedade mal estruturada, pseudo intelectual e estupidificante. A tal sociedade da “ideologia do pensamento único e formatação dos indivíduos” que aparece abusivamente nas democracias.

animalista salvo por toureiro.png

Aqui está uma curiosa fotografia que mostra um toureiro salvando a vida de um animalista que saltou à arena de Carcassonne para se manifestar contra as touradas e que foi gravemente colhido por um novilho da ganadaria de Miura.

 

Campo Pequeno - 125 anos

Campo Pequeno.png

Ontem voltou a TVI a transmitir uma corrida de toiros depois de uma ausência prolongada em mais de 5 anos. Belo regresso.

Voltámos a escutar com atenção o Dr.Joaquim Grave. Excelente!

Linda a Praça Monumental do Campo Pequeno repleta de público que se divertiu.

Pena esse condensado de publicidade tão prolongado do quarto para o quinto toiro que afastou muitos telespectadores que já não aguentam tanta demora.

Ao desligar a televisão ficou-me a memória da seriedade de António Ribeiro Telles no seu refinado toureio à portuguesa e num momento excelente, numa época bem conseguida, que os aficionados devem aproveitar.

Recordei João Moura, não desta mas de outras corridas.

Também em memória as actuações de Luís Rouxinol, que conseguiu por o manso de Oliveira Irmãos a dar algumas investidas e a sua valorosa actuação frente ao de Passanha, último da noite, numa lide à altura dos 125 anos da Monumental do Campo Pequeno.

Não dá para esquecer a fabulosa pega de Francisco Borges, dos Amadores de Montemor, num toiro que o pisou, mas onde o forcado se emendou o suficiente para por o público em pé.

Gostei do trapio do toiro da ganadaria Passanha. Lindo toiro!

Gostei de ver o brinde do Grupo de Lisboa a João Soares e a Elisio Summavielle, dois políticos aficionados que defendem a nossa Festa.

Depois, fiquei a pensar que se fosse em Espanha o Chefe de Estado estaria presente nos 125 anos da primeira Praça de toiros do país…o Rei estaria presente certamente. Por cá…é assim. Manda-se uma mensagem para ser lida na arena. É pouco…

Não é uma data qualquer de uma Festa nossa. É uma data histórica da mais bela Praça de Toiros do mundo: o Campo Pequeno. Muitos portugueses sentem orgulho de ter esta relíquia em Lisboa. Há que a dignificar!

TVI Olé!.jpg

 

 

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