O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.
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Graças ao Canal Toros, os deste lado do “charco” tiveram a grata possibilidade de ver a “Temporada Grande 2018-19” e desta última corrida de aniversário da “Plaza México” com a presença de cerca de 40.000 espectadores, ficou na nossa memória a mestria de Pablo Hermoso – o mais clássico executor do rejoneio espanhol – e as duas maravilhosas faenas do Senhor Enrique Ponce, a primeira premiada com duas orelhas. Depois, no seu segundo, quinto da ordem, deu uma lição de toureio em frente ao de Los Encinos, que tinha o nº. 49 e o peso de 502 Kg. – com o curioso nome de García Lorca – um manso encastado, que fugiu ao picador e que o matador ensinou a investir. Uma maravilha de faena completa, não obstante a má sorte com a espada. Toiro que não deveria ter sido premiado com arraste lento. Bem foi a justificada volta à arena do matador.
Aos animalistas anti-taurinos deve ser recomendado e facilitado verem o Senhor Enrique Ponce a tourear logo que seja possível, para assim terem a possibilidade de se redimirem, entendendo e respeitando a bela arte do toureio.
Anunciar uma corrida de toiros não é o mesmo que o fazer com outro espectáculo qualquer.
A tauromaquia tem regras que têm sido respeitadas na generalidade e conceitos de ética perfeitamente definidos como, por exemplo, a antiguidade.
O matador mais antigo lidará o primeiro toiro para o toureio a pé e o mais moderno o último. É assim e deverá continuar a ser assim. Mesmo quando há a cerimónia da concessão da alternativa, o primeiro toiro é para o matador mais velho, só que este cede-o ao novilheiro que vai receber a alternativa
Neste cartaz da Temporada Grande da Monumental Praça México, numa das corridas Roca Rey aparece anunciado à frente de Joselito Adame e de “Calita”, sendo estes mais antigos de alternativa.
Também na corrida de 5 de Fevereiro, Luís David está anunciado primeiro que Sérgio Flores.
Durante as corridas foi respeitada a ordem, o que para o espectador menos atento pode causar alguma dúvida.
Passaram 73 anos depois da inauguração da Praça, mais do que os suficientes para a Empresa respeitar as tradições tauromáquicas.
O rejoneador Juan Cañedo e os matadores Luis Procuna, Paco Muñoz e Rafael Rodríguez.
Procuna esteve excelente na lide do seu primeiro, um toiro de Ernesto Cuevas com o nome de “Muñeco”. Toiro que cumpriu nos três tércios e de tal forma que o público da Monumental – e pela primeira vez no historial da Praça – começou a acenar os lenços pedindo o indulto.
O indulto, o maior prémio que só está ao alcance de um toiro muito bravo e se tiver um bom lidador que lhe realce os caracteres inerentes: a prontidão na investida, o humilhar, o repetir, a nobreza, o recorrido, a “fijeza”, a transmissão…Tudo isso apresentou “Muñeco” para satisfação do ganadero, do matador, dos aficionados e do público em geral. Público que pela primeira vez pedia a vida de um toiro “na México” e como este foi sempre “a mais” a petição cresceu, cresceu, até que o Presidente mostrou o lenço cor de laranja.
Mas sucedeu o insólito: Luís Procuna desautorizando tudo e todos, aponta uma extraordinária estocada, sendo premiado com duas orelhas do toiro que não deveria ter morrido.
Quando um toiro é bravo e o público pede o indulto confirmado pelo Presidente da Corrida, esse toiro ganha a liberdade e regressa ao campo e a ganadaria ganha mais um semental.
Assim foi ontem, dia de São Martinho, na Praça México depois de uma valorosa exibição do rejoneador Diego Ventura.
O “Fantasma”, da ganadaria de Enrique Fraga, ganhou o indulto.
O prémio que só um verdadeiro toiro de lide pode ganhar.
Brinde do matador de toiros Rodolfo Rodriguez “El Pana”:
"A todas las daifas, meselinas, meretrices, prostitutas, buñis, a todas aquellas que sacieron mi hambre y mitigaron mi sed cuando El Pana no era nadie.
Longe vão os tempos em que João d’Orey Pinheiro (Arnoso) pegou o primeiro toiro em terras mexicanas, em Guadalajara em 1 de Fevereiro de 1970.
O Grupo era comandado por Simão Malta e constituído por Simão Nunes Comenda, Manuel Augusto Ramalho, João Cortes, Armando Félix e Francisco Chaveiro, do Grupo de Montemor; João d'Orey Pinheiro (Arnoso), do Grupo de Lisboa; António Oleiro Maltez e Francisco Picão Caldeira, do Grupo de Évora. Nesse Grupo fardou-se também de forcado o peão de brega Ludovino Bacatum.
Anos depois outros forcados amadores actuaram na República Mexicana, sendo o Grupo de Évora, comandado por João Nunes Patinhas, o primeiro a pisar a arena da Plaza Monumental de México em Março de 1976.
No México houve continuadores locais e hoje são alguns grupos de forcados amadores desse país que executam a mais autêntica arte da tauromaquia portuguesa: a pega. Fardam-se à portuguesa e mantêm os conceitos do Forcado Amador.
O cartaz aqui exposto de uma corrida que se vai realizar no dia 27 deste mês na “Plaza de Toros de Santa María” e relacionado com os 35 anos do Grupo de Forcados Queretanos, marca a extensão da portugalidade nesse enorme país da América do Norte.