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Partebilhas

O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

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Manuel da Cruz – um cabo de forcados

Barrete de forcado.png

Em 25 de Julho de 1963 o Jornal do Ribatejo noticiou que se iria constituir em Santarém um novo grupo de forcados e que faria a sua apresentação em Agosto desse ano.

O grupo, comandado por Manuel da Cruz, seria denominado Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo e constituído pelos seguintes aficionados: Manuel Lourenço, Correia Morais, Joaquim Augusto Fontes, Jorge Faria Moedas, Henrique Campeão, Manuel Martins Cordeiro, Manzoni de Sequeira, Carlos Faria d’Almeida, Manuel Pires de Lima, João Luís Cardoso e Abílio dos Santos Nogueira.

 

Em 12 de Setembro de 1963 o Jornal do Ribatejo noticiou que um novo Grupo, denominado Grupo de Forcados Amadores da Borda d’Água se apresentou pela primeira vez do domingo anterior, dia 8 de Setembro, na Praça de toiros da Nazaré. Este Grupo pegou nessa tarde cinco novilhos, que já anteriormente tinham sido lidados noutra praça. Foram efectuadas 4 pegas de caras pelos forcados: António Timóteo, Manuel Cordeiro, Manuel da Cruz e Jorge Faria Moedas. Houve também uma pega de cernelha efectuada por Joaquim Augusto Fontes e Augusto Barbosa. O cabo deste Grupo foi Manuel da Cruz.

 

Não obstante, poucos dias depois, Manuel da Cruz apresentou-se a comandar um novo Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo no dia 22 de Setembro de 1963, na Praça de Toiros da Nazaré. Segundo o Jornal do Ribatejo de 26 de Setembro de 1963, o Grupo teve boa actuação.

 

Curiosamente Manuel da Cruz reaparece em 27 de Outubro de 1963 a comandar novamente o Grupo de Forcados Amadores da Borda d’Água, no último espectáculo que se realizou na Praça Velha de Santarém – num festival onde tourearam a cavalo Joaquim Lavareda Simões e Gustavo Zenkl – alternando com o Grupo da Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, com Inácio França Alves a cabo.

 

Por estes apontamentos retirados dos jornais da época, Manuel da Cruz apresentou-se no mesmo ano, alternadamente, como cabo destes dois Grupos, sendo o mais antigo, os Amadores da Borda d’Água sido extinto para dar origem aos Amadores do Ribatejo.

 

 

 

A arte de pegar toiros

Quando o forcado pelo seu saber e valentia – e também por intuição – consegue vencer o medo, o perigo e as dificuldades que o toiro apresenta e alcança emoção e domínio, pode dizer-se que atinge a perfeição. Mas essa perfeição só é atingida quando demonstra naturalidade durante o cite e facilidade em dobrar-se, a receber e a fechar-se no toiro.

Cada forcado é dotado de determinados recursos e uns, melhor do que outros, conseguem demonstrar em Praça as suas faculdades. Uns mais valentes, outros mais técnicos e outros mais artistas. Alguns forcados conseguem reunir essas três qualidades e quando executam a pega, criando beleza ante o perigo, serenos e dominadores, marcando os tempos do verdadeiro toureio durante o cite da pega de caras, conseguem transmitir ao público uma impressão de facilidade que se transforma em arte: a arte de pegar toiros.

Pega de Diniz Caeiro - 29.06.2018.JPG

Pega de caras - Grupo de Forcados Amadores de Évora

Dinis Caeiro - 29 de Junho de 2018

(foto de João Silva)

 

Santarém ressuscitada

Cartaz Santarém - 2019.jpg

2018 terá sido o “annus horribilis” da Praça de Santarém, o ano em que a Monumental se manteve encerrada, triste, desprezada, voltada para o encerramento, isto numa cidade que tem muitos e bons aficionados e o grupo de forcados amador mais antigo e um dos mais prestigiados do mundo.

Eis se não quando, em 2019 e quase como por artes mágicas, surge a “Praça Maior - Cultura e Identidade”, gente que sabe o que quer fazer, renova a Praça, dá-lhe estatuto, cria os abonos, programa a época…e aí está a Praça de Santarém, a maior de Portugal a desempenhar as funções para que foi criada: as corridas de toiros.

Santarém reabriu e bem, com cerca de 9.000 espectadores. Lindo de se ver.

De tal forma, que até os animalistas apareceram a Santarém, habituados a gritar nas imediações do Campo Pequeno, desta vez combinaram-se e em excursão vieram até ao Ribatejo apanhar os ares do planalto de Santarém. Que bem que el@s gritavam, esganiçad@s, agarrad@s aos megafones de tal maneira que, não sendo, pareciam ser mais de uns vinte, tal o barulho que fazeram, contentes a ver passar os aficionados. Uma ternura de menin@s, tod@s bem ensaiad@s, gritaram, gritaram e lá regressaram a Lisboa felizes e ainda a tempo de passearem os cãezinhos lá naquelas avenidas.

Quanto à corrida, saíram os espectadores satisfeitos por verem a Praça ressuscitada e agradados com a arte de João Moura e António Ribeiro Telles, as lides brilhantes de Francisco Palha e a habitual valentia dos Forcados, os Amadores de Santarém e os Amadores de Vila Franca.

Dos toiros que foram lidados, encastados e cumprindo bem nos cavalos e nas pegas, salientaram-se o 5º e o 6º da ordem.

Atenção a este Francisco Palha que volta em 16 de Junho à Celestino Graça. Atenção!

Quanto ao Cartaz que se deve mandar emoldurar por anunciar a data de 17 de Março, a adicionar ao historial taurino de Santarém, tem um lapso: não consta o ano, que terá que ser acrescentado a tinta e à mão para mais tarde se recordar: 2019.

Olé Praça Maior!

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Na foto a valorosa tentativa e Fernando Montoya dos Amadores de Santarém. Uma tentativa que teria merecido melhor sorte, porque o forcado esteve muito bem no cite – parando, mandando e templando – e fechando-se com valentia na cara do toiro.

Fernando Montoya.JPG

 

Tertúlia Tauromáquica Eborense – Março de 2019

Tertúlia T. Eborense-11.03.2019.jpg

Manuel Rovisco Pais, Luís Fernando Carvalho, Nico Mexia de Almeida e Sebastião Ortigão Costa

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Jantar de Março de 2019

Em 11 de Março realizou-se e como é habitual na Pousada dos Loios em Évora o jantar mensal da Tertúlia Tauromáquica Eborense tendo como convidados especiais Luís Fernando Carvalho e Manuel Rovisco Pais que se fizeram acompanhar por Sebastião Ortigão Costa.

Os convidados, responsáveis pela realização do Festival Taurino de Vila Boim, no concelho de Elvas, explicaram a origem deste evento que já se realiza há 10 anos, das dificuldades que anualmente tem sido ultrapassadas e do empenho taurino de diversos colaboradores, nomeadamente do ganadero Sebastião Ortigão Costa, que têm permitido que o Festival se mantenha com dignidade no calendário taurino português.

Neste agradável jantar de convívio e tertúlia esteve também presente Antonio Pullin, grande aficionado da Guatemala e amigo de Portugal.

 

Tertúlia Tauromáquica Eborense- Antonio Pullin-1

Antonio Pullin, da Guatemala, discursando no jantar da Tertúlia Tauromáquica Eborense

 

Na México o Senhor Enrique Ponce

Praça México - Temporada Grande -5.'2.2019.png

Graças ao Canal Toros, os deste lado do “charco” tiveram a grata possibilidade de ver a “Temporada Grande 2018-19” e desta última corrida de aniversário da “Plaza México” com a presença de cerca de 40.000 espectadores, ficou na nossa memória a mestria de Pablo Hermoso – o mais clássico executor do rejoneio espanhol – e as duas maravilhosas faenas do Senhor Enrique Ponce, a primeira premiada com duas orelhas. Depois, no seu segundo, quinto da ordem, deu uma lição de toureio em frente ao de Los Encinos, que tinha o nº. 49 e o peso de 502 Kg. – com o curioso nome de García Lorca – um manso encastado, que fugiu ao picador e que o matador ensinou a investir. Uma maravilha de faena completa, não obstante a má sorte com a espada. Toiro que não deveria ter sido premiado com arraste lento. Bem foi a justificada volta à arena do matador.

Aos animalistas anti-taurinos deve ser recomendado e facilitado verem o Senhor Enrique Ponce a tourear logo que seja possível, para assim terem a possibilidade de se redimirem, entendendo e respeitando a bela arte do toureio.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Enrique Ponce-Praça México - 5.02.2019.png

 

 

Cartaz imperfeito da Praça México

Temporada México.png

Anunciar uma corrida de toiros não é o mesmo que o fazer com outro espectáculo qualquer.

A tauromaquia tem regras que têm sido respeitadas na generalidade e conceitos de ética perfeitamente definidos como, por exemplo, a antiguidade.

O matador mais antigo lidará o primeiro toiro para o toureio a pé e o mais moderno o último. É assim e deverá continuar a ser assim. Mesmo quando há a cerimónia da concessão da alternativa, o primeiro toiro é para o matador mais velho, só que este cede-o ao novilheiro que vai receber a alternativa

Neste cartaz da Temporada Grande da Monumental Praça México, numa das corridas Roca Rey aparece anunciado à frente de Joselito Adame e de “Calita”, sendo estes mais antigos de alternativa.

Também na corrida de 5 de Fevereiro, Luís David está anunciado primeiro que Sérgio Flores.

Durante as corridas foi respeitada a ordem, o que para o espectador menos atento pode causar alguma dúvida.

Passaram 73 anos depois da inauguração da Praça, mais do que os suficientes para a Empresa respeitar as tradições tauromáquicas.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

Praça México.png

 

“Forcados Amadores”

Jornal Festa Brava.jpg

Na arrumação de alguns papéis encontrei um artigo intitulado “Forcados Amadores” que escrevi e foi publicado em 13 de Fevereiro de 1997 no “Festa Brava”, jornal taurino e equestre, que era dirigido por Francisco Morais Sarmento.

Nesse artigo, retirei e para aqui colocar uma parte do texto por o considerar pertinente não obstante já terem passado 22 anos:

“Na época do defeso, durante o Inverno, os grupos de forcados, nomeadamente os seus cabos, devem reflectir sobre alguns aspectos mais desagradáveis:

  1. O exagerado número de forcados fardados por corrida para as pegas de 3 toiros. Há alguns anos atrás para 3 toiros não se fardavam mais do que 12 forcados. Por outro lado, na festa brava não devem existir figurantes. Só nas cortesias são suficientes os forcados que irão actuar para pegar um toiro. Foi exemplo a não esquecer Ricardo Rhodes Sérgio que como cabo do Grupo de Forcados Amadores de Santarém durante 21 anos nunca se limitou a fazer as cortesias e mesmo com avançada idade dava, sempre, terceiras ajudas no primeiro toiro de cada corrida.
  2. O número de forcados mal fardados que se vê em alguns Grupos. Uns sem jaqueta, outros com meias de campino, calções remendados e sujos, etc., não podem dar boa imagem do forcado amador.
  3. A ginástica que alguns forcados fazem nos momentos que antecedem as pegas. Chutos na trincheira e outros “aquecimentos”, não ficam bem e fazem perder a dignidade do forcado amador.
  4. A falta de atenção de muitos forcados durante a lide dos toiros, mais interessados em olhar para a assistência do que para o toiro que está a ser lidado. Como dizia e bem o antigo cabo João Patinhas “o forcado nunca deve perder a cara ai toiro” e isso quer dizer que o forcado deve olhar para o toiro do começo ao final da lide.
  5. As diversas instruções que são dadas para a arena, quando o forcado está em frente do toiro, devem ser evitadas. O forcado que vai pegar o toiro é que manda. É ele é que deve ordenar aos peões de brega onde é que o toiro deve ser colocado e ele, e só ele, é que deve tomar as resoluções adequadas para a realização da pega. Quando salta para a arena o forcado já deve levar a lição estudada e instruções a haver só devem ser dadas pelo cabo – e de forma discreta – quando a pega não resulta à primeira tentativa.

Manuel Peralta Godinho e Cunha

8 forcados.jpg

 

 

A pega do Monumento ao Forcado

Pega de Estevam Lancastre-1964.jpg

Em 12 de Abril de 1964 realizou-se uma corrida na Praça Monumental do Campo Pequeno de homenagem aos Príncipes do Mónaco e num dos camarotes esteve a Princesa Grace Patrícia Grimaldi (Grace Kelly) e os seus filhos.

Lidaram-se 8 toiros, sendo 4 da ganadaria de Norberto Pedroso para os cavaleiros Pedro Louceiro e José Maldonado Cortes e para os Forcados Amadores de Évora comandados por João Nunes Patinhas, mais 4 toiros da ganadaria de Manuel César Rodrigues para os espadas José Falcão e Óscar Rosmano.

Praça completamente cheia e grande triunfo dos Amadores de Évora com quatro excelentes pegas de caras e o Grupo chamado à Praça.

Na lide a pé um enorme êxito de José Falcão.

Captadas pelo fotógrafo taurino Lucílio Figueiredo há algumas fotos dessa corrida e uma delas da pega que foi executada por Dom Estevam de Lancastre com excelente primeira ajuda de João Bonneville Franco.

Essa foto foi a escolhida e aproveitada muito mais tarde pelo escultor Domingos Soares Branco que a utilizou como base de trabalho quando efectuou o conjunto escultórico do Monumento ao Forcado que está colocado em Santarém, desde 10 de Junho de 1997, na Rotunda António Gomes de Abreu.

Atelier de Domingos Soares Branco.jpg

No seu atelier o escultor Domingos Soares Branco com Dom Estevam de Lancastre e João Bonneville Franco.

Nota-se a foto que serviu de mostra para a escultura.

 

Grupo de Évora

 

Tertúlia T.E. 7.01.2019.png

 

Realizou-se em 7 de Janeiro de 2019, e como habitualmente na Pousada dos Loios, o jantar mensal da Tertúlia Tauromáquica Eborense e desta vez de homenagem ao Grupo de Forcados Amadores de Évora que em 2018 completou 55 anos ininterruptos na nobre arte de pegar toiros.

Assim e como convidado de honra esteve presente o actual cabo João Pedro Nunes Oliveira e que se fez acompanhar pelos antigos cabos João Pedro Soares Oliveira e António Vaz Freire Alfacinha que deram os seus testemunhos recordando diversos momentos do interessante Historial de um Grupo que pela primeira vez se apresentou ao público em 11 de Agosto de 1963 e sob o comando de João Nunes Patinhas e que ao longo destes 55 anos honrou a Tauromaquia Portuguesa, o Forcado Amador e divulgou a cidade de Évora em todas as Praça de Toiros portuguesas e em muitas outras no estrangeiro.

Foi mais um agradável jantar de uma Tertúlia de amigos aficionados e que desejam continuar a defender a tauromaquia.

Tertúlia Tauromáquica Eborense.jpg

 

 

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