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O conteúdo deste blogue é da responsabilidade de MANUEL PERALTA GODINHO E CUNHA e pode ser reproduzido noutros sítios que não pertençam ao autor porque o importante é a divulgação da tauromaquia.

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Toiros de Morte

Toureiro.png

Em Portugal nunca houve uma tradição de toiros de morte não obstante algumas tentativas da sua regularização e manutenção em festas regionais sendo excepção o caso de Barrancos.

Assim, a União dos Criadores de Toiros de Lide, que teve Sede na vila da Golegã, apresentou em 1921 uma exposição ao Governo da República, pedindo que fosse permitida a lide à espanhola com toiros de morte nos últimos dois toiros de cada corrida. Essa pretensão não foi aceite.

Mais tarde, em 1930, uma Comissão de Senhoras acompanhadas por José Van-Zeller Pereira Palha e por Bernardo José da Costa de Sousa de Macedo (Mesquitella), foi recebida pelo Presidente do Ministério – general Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira – que solicitou ao governo da Ditadura Nacional a criação, em Vila Franca de Xira, de uma zona exclusiva para a realização de corridas de toiros de morte, chamando à atenção do que se passava no sul de França, revertendo as receitas líquidas a favor da Assistência Nacional aos Tuberculosos. Apresentado o pedido ao Conselho de Ministros, não mereceu a sua aprovação.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974 e na confusão completa de ideias e políticas que se seguiram no país, houve tentativas de se implementarem corridas de toiros de morte e com a sua realização em Vila Franca de Xira e Salvaterra de Magos onde, apesar de não terem sido anunciadas como tal, os toiros foram lidados a pé e estoqueados nessas arenas com a aceitação geral do público que encheu as respectivas Praças de Toiros.

 

Torga e os castradores

Toiro de lide.png

Não obstante as teorias baseadas em estudos e pesquisas antigas que admitem que o toiro bravo teria sido enfrentado na Europa em tempos imemoriais como provam algumas gravuras da Grécia antiga, foi nos povos da Península Ibérica que a tauromaquia teve origem, onde os cavaleiros lanceavam toiros bravos aproveitando as condições de acometer dessa raça de bovinos.

Antes de surgirem os reinos que deram origem a Portugal e Espanha, já os historiadores romanos se referiam aos povos da Lusitânia dizendo que estes costumavam “combater a cavalo os toiros que têm fúria”. Esses cavaleiros, nesses combates, faziam exercícios para adestrar os cavalos, treinar os seus reflexos e prepara-los para as batalhas na defesa das populações e do território.

Mais tarde desenvolveu-se o toureio a cavalo, como espectáculo, tendo sempre por base as regras da cavalaria ao enfrentar os toiros de frente e dando-lhes a vantagem de permitir a investida de largo.

Passados alguns séculos, quando em Espanha o francês duque de Anjou se fez coroar como Filipe V, a tauromaquia teve uma paragem nesse país porque o toureio a cavalo desenvolvido pelos nobres não tinha o agrado daquele monarca. Porém o povo espanhol não se conformou com essa proibição e desenvolveu-se o toureio a pé.

“Toureio a pé” e não toureio apeado, porque não foram os nobres que se apearam dos cavalos para tourear mas sim os homens do povo que a pé e com a capa dominavam os toiros e lhes davam a morte com a espada.

Enquanto que em Espanha se desenvolveu o toureio a pé - com a sorte de varas executada pelo picador – e com a lide a cargo do matador e da sua quadrilha, com o capote, as bandarilhas, a muleta e a estocada final para dar morte ao toiro. Em Portugal continuou o toureio a cavalo e mais tarde a introdução nas arenas do moço de forcado para executar as pegas de caras e de cernelha. Têm portanto estas diferentes tauromaquias fortes tradições nos povos peninsulares e elas fazem parte das suas raízes, sendo hoje manifestações culturais das nações ibéricas, dos povos do sul de França e de alguns países americanos com destaque para o México. Manifestações essas que contém um conjunto de símbolos, conceitos e significados que foram sendo construídos ao longo da História. O toureiro, tal como o aficionado, tem pelo toiro admiração e respeito e para todos o toiro é o principal e indispensável elemento da Festa.

Filósofos e pensadores à tauromaquia se têm referido e se, por exemplo, José Ortega y Gasset se expressou como “não ser possível entender a História de Espanha sem ter em conta a festa dos toiros”, em Portugal o nosso Miguel Torga referiu-se à triologia campino-cavalo-toiro como “as últimas forças viris da Criação, das eras selvagens e testiculares que a civilização castrou”.

Na verdade a Festa Brava tem sido ultimamente muito perseguida e atacada. Bruxelas dá o mote e os nossos políticos obedientes aceitam as diabruras dos animalistas anti-taurinos que se enquadram na figura dos tais castradores a que Torga se referiu.

 

As artes do toureio

Cortesias.jpg

Arte de Marialva

 

No reinado de D. João V - de 1706 a 1750 - as minas de ouro e de pedras preciosas descobertas no Brasil permitiram a realização de grandes investimentos em Portugal, destacando-se a construção do Aqueduto das Águas Livres em Lisboa e o convento de Mafra.

Este monarca também se interessou pelo desenvolvimento cultural e fundou a Real Academia de História, o Observatório Astrológico do Colégio de Santo Antão e a Biblioteca da Universidade de Coimbra.

Também foi D. João V que mandou construir, no Palácio de Belém, o Picadeiro Real e fundou a Coudelaria de Alter.

Nesses tempos, a Europa desejava seguir a moda de França e em Portugal os cavaleiros passaram a trajar à Luís XV.

Já no reinado seguinte – de D. José, de 1750 a 1777  – destacou-se como “Estribeiro-Mor” D. Pedro de Alcântara e Meneses,  4º. marquês de Marialva, que era um dos melhores cavaleiros e que também toureava a cavalo.

Foi “Mestre de Picaria” outro notável cavaleiro desse tempo, chamado Manuel Carlos de Andrade, que escreveu um excelente tratado de equitação denominado “LUZ DA LIBERAL E NOBRE ARTE DA CAVALARIA” inspirado na arte do marquês de Marialva.

Teve tão grande impacto a fama do marquês de Marialva e o livro de Manuel Carlos de Andrade que ainda hoje perdura a designação de “à Marialva” tudo o que se refere ao método de equitação e ao traje dos cavaleiros tauromáquicos portugueses.

 

Arte de Montes

 

Na história da tauromaquia e no que se refere ao toureio a pé dois toureiros tiveram enorme influência em meados do Século XVIII: Joaquin Rodriguez “Costillares” e Pedro Romero.

Enquanto Pedro Romero, da “escola de Ronda”  – neto de Francisco Romero – o seu toureio foi caracterizado pela sobriedade e seriedade, sem adornos, frio, pensado e medido, o toureio de “Costillares” da “escola de Sevilha” tem improvisação e graça e foi este o inventor do lance à verónica e da estocada “a volapie”.

Pedro Romero foi nomeado em 1830 pelo rei Fernando VII, portanto com 76 anos, director da Escola de Tauromaquia de Sevilha. Escola que teve também como mestre o matador de toiros Jerónimo José Cândido e foi frequentada por diversos alunos, no período de 1830 a 1834,  sendo um deles Francisco Montes Reina “Paquiro”, um verdadeiro génio do toureio que sabia matar “recebendo” como Pedro Romero e executar o “volapié” como “Costillares”.

Foi Francisco Montes “Paquiro” que deu um conceito colectivo de lide, ao ser o primeiro a disciplinar e organizar a sua “quadrilha”, onde os picadores e bandarilheiros passaram a ter uma missão específica debaixo da direcção suprema do espada.

 

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